Estou decidido! Vou mudar tudo. Esquecer o que fui e como fui. Deitar fora todas as recordações, boas e más, e fechar a memória a tudo o que vivi. Porque não quero mais ser o que fui nem fazer o que fiz. Não voltarei aqui nem voltarei a ver o que vi. Não quero ouvir o que já ouvi e sobretudo não pensar no que até agora acreditei. O porquê não é importante. O que realmente é importante é o que decidi. Vou-me pirar!
Era isto o que pensava sentado naquela esplanada junto à praia e com um copo de cerveja como única companhia; meia companhia porque meio cheio.
Nada me prendia áquela casa nem áquela rua nem áquela gente. Os livros já não existiam, só a sua memória… oops, não posso e não quero apagar a memória do que li. (Sempre se salva alguma coisa, afinal!)
Para além dos ténis que calço, das calças, da camisa e do blusão que visto, toda a minha vida cabe dentro da mochila que está poisada no chão junto à cadeira onde estou sentado.
Olho a praia quase deserta neste fim de tarde, cheia dos risos e dos gritos das poucas crianças que correm “atrás” das gaivotas que vêm passar a noite no areal. Mais ao longe uns quantos disputam um jogo de bola preparados para uns últimos mergulhos no mar antes de regressarem a casa.
Olho o mar, calmo e quase sem ondulação. Ao longe um navio prepara-se para entrar no porto. Mais perto navegam traineiras a caminho de outra noite de pesca.
Todos! Barcos e traineiras, crianças e adultos, até as gaivotas, todos têm um destino, um percurso para cumprirem até ao porto de chegada. Todos!
Eu também quero ter. Mas não aquele onde estive ancorado até hoje. Quero navegar para mais longe. Para onde a vista alcança. Até para mais longe.
Sobretudo para mais longe…, muito longe!
Com o sol cada vez mais mergulhado no mar, acabo com a cerveja e começo a caminhada de mochila às costas. Sigo pela berma da estrada junto ao mar, calmamente, dizendo para mim mesmo: devias ter começado esta cena de manhã…; mas agora já está! Algum local para passar a noite hei-de encontrar.
Era isto o que pensava sentado naquela esplanada junto à praia e com um copo de cerveja como única companhia; meia companhia porque meio cheio.
Nada me prendia áquela casa nem áquela rua nem áquela gente. Os livros já não existiam, só a sua memória… oops, não posso e não quero apagar a memória do que li. (Sempre se salva alguma coisa, afinal!)
Para além dos ténis que calço, das calças, da camisa e do blusão que visto, toda a minha vida cabe dentro da mochila que está poisada no chão junto à cadeira onde estou sentado.
Olho a praia quase deserta neste fim de tarde, cheia dos risos e dos gritos das poucas crianças que correm “atrás” das gaivotas que vêm passar a noite no areal. Mais ao longe uns quantos disputam um jogo de bola preparados para uns últimos mergulhos no mar antes de regressarem a casa.
Olho o mar, calmo e quase sem ondulação. Ao longe um navio prepara-se para entrar no porto. Mais perto navegam traineiras a caminho de outra noite de pesca.
Todos! Barcos e traineiras, crianças e adultos, até as gaivotas, todos têm um destino, um percurso para cumprirem até ao porto de chegada. Todos!
Eu também quero ter. Mas não aquele onde estive ancorado até hoje. Quero navegar para mais longe. Para onde a vista alcança. Até para mais longe.
Sobretudo para mais longe…, muito longe!
Com o sol cada vez mais mergulhado no mar, acabo com a cerveja e começo a caminhada de mochila às costas. Sigo pela berma da estrada junto ao mar, calmamente, dizendo para mim mesmo: devias ter começado esta cena de manhã…; mas agora já está! Algum local para passar a noite hei-de encontrar.
(a continuar)

2 comentários:
Como te entendo...
E como gostaria de fazer o mesmo...pegar na mochila e partir sem destino...para qualquer lugar...
Beijokas :)
Ps(d): vou esperar a continuação...
Está tudo na nossa vontade.
Não fossem as prioridades que estabelecemos para nós mesmos e o não querermos abdicar das poucas mordomias que possamos ter...
Mas também podemos viajar em pensamento, né?
Beijokassss
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