PÔINGGG…, PÔINGGG…! Sobressaltado sem saber onde estava, levantei-me nem sei como e, em pânico, corri para a porta para fugir nem eu sabia do quê; abri a porta e… era o WC de sala de espera! Recordei-me da noite anterior e percebi que foi o comboio expresso que me tinha acordado à sua passagem. Já mais calmo (e depois de aliviar a bexiga) voltei para a mochila onde me esperavam as fatias de presunto, o pão e a cerveja. Não era o pequeno-almoço ideal mas era o melhor que tinha. Foi então que a vi, sentada a um dos cantos da sala olhando-me entre espantada e curiosa e com um semblante sorridente provocado pelo meu acordar “explosivo”.
-Olá, bom dia…, pensei mais do que falei, mas deve ter-me ouvido já que respondeu:
- Bom dia.-Olá, bom dia…, pensei mais do que falei, mas deve ter-me ouvido já que respondeu:
Fixei-a esforçando-me por coordenar as ideias (ou seja, acordar de facto), e querendo saber o que dizer-lhe mais; mas nada…
- Ficamos sempre um bocadinho estranhos quando acabamos de acordar, ainda mais quando se acorda na sala de espera de uma estação de comboios. Dormiste aqui?
-Sim!
- Cansaço?
-Pois ontem iniciei uma caminhada e perto da meia-noite fiquei por aqui para passar a noite.
- Melhor aqui que dormir ao relento, mas pela tua cara não me parece que fosse uma noite muito confortável, ainda mais quando somos acordados pelo barulho estridente de um comboio.
-Pois foi; se não fosse o expresso ainda estava a dormir. Que horas serão?
- São 6 horas.
-Ainda é tão cedo…
- Cedo demais, a quem o dizes...
-Também passaste a noite aqui?
- Não credo! Cheguei há pouco mais que 10 minutos
-Ah…! Esperas alguém?
- Espero- ehehe- o comboio.
-Vais viajar? Estás de férias?
- Vou viajar, mas não de férias, vou trabalhar.
-Claro, claro; é importante trabalhar, evidentemente! Eu também trabalhava ainda que uma amiga minha diga que não faço nada…
- E será que a tua amiga não está certa? Não me parece que trabalhes muito...
-Não! É brincadeira dela para me “atazanar” o juízo.
- Achamos sempre que trabalhamos mais que os outros, por vezes até achamos que somos os únicos que trabalham...
-Trabalhava em transportes internacionais mas desisti. E tu?
- Tenho um negócio meu, pequenino, mas meu.
-Tens um negócio? Ah sim? E então, vai correndo bem?
- Já é um hábito falar-se da crise e dizer que isto está tudo mal, mas a verdade é que está mesmo muito mau...
-Pois, com a crise as pessoas vão prescindindo de alguns extras…
- Sim, mas não é só isso, os encargos são cada vez mais...muitos impostos, pouco dinheiro, poucos clientes...o que eu vendo não são extras, são bens de primeira necessidade, mas mesmo assim as pessoas compram o minímo...
-Não, não quero dizer isso; mas a verdade é que os €uros não chegam para tudo.
- E não chegam mesmo, mas o problema é que a maioria das pessoas vivem acima das suas possibilidades, tiram mais depressa à mesa que aos luxos...
-Pronto! Ok!, Ok! Desculpa… (bolas…, cuidado com ela!!!,)
- Não tens que pedir desculpa, é a realidade...
-Vais apanhar este comboio que está a chegar?
- Vou.
-Ah sim, apanhas sempre este, todos os dias…
- Normalmente sim, a menos que me atrase...E tu, vais neste ou vais dormir mais um bocadinho?
-Não, também vou! Sempre conversamos mais um pouco se não te importas.
E lá fomos. Ela toda perfumada e maquilhada, sapatos de salto alto, daqueles às tiras mais a mala a condizer, e eu de mochila e cobertor (mais os buracos) às costas, e também um problemazinho: não tinha bilhete!
-Como te chamas?, perguntei enquanto entrávamos na terceira carruagem.
(a continuar)

2 comentários:
Lindo! Queres continuar para a parte IV ?
MU@@
Lindoooooooo mesmo :)
Claro que quero!
Fui eu que fiz uma parte, viste??? eheheh
Não tava muito mal, pois não, pois não?
Beijokas :)
Enviar um comentário